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Perigos da falsa humildade

“Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” ().

Em junho de 1844, participei de uma Conferência da segunda vinda em Portland, Maine, acompanhado pelo pastor Pearson. A jornada até lá, sob o calor e a poeira do verão, sujou demais e desgastou minhas roupas simples de tal modo que já não prestavam para uso. Cheguei à conferência com um espírito menos livre do que o habitual, sentindo-me inclinado a permanecer em silêncio e a deixar que outros assumissem a palavra. Apesar disso, apreciei profundamente as pregações e os momentos sociais daquela excelente reunião. Ao final da conferência, senti-me espiritualmente renovado, recuperando minha força e liberdade de espírito habituais.

Entre os presentes estava um certo pastor H., vindo do leste do Maine, que se destacou por seu estilo peculiar e barulhento. Ele dizia ter uma fé extraordinária e estar maravilhosamente cheio do Espírito Santo. No entanto, sua conduta levantava dúvidas sobre a autenticidade de sua fé.

Se os frutos do Espírito fossem definidos apenas por barulho, expressões duras, linguagem ríspida e frequentes gritos de “Glória, aleluia!”, certamente o pastor H. seria um modelo. Mas, segundo as Escrituras, os frutos do Espírito incluem amor, paz, longanimidade, gentileza, bondade, mansidão e temperança. E, nesses aspectos, ele revelava um preocupante fracasso.

Esse pastor parecia buscar atenção mais para si mesmo do que para Cristo. Falava muito sobre humildade, mas sua conduta demonstrava uma humildade superficial e exibicionista. Seu comportamento correspondia ao que o apóstolo descreve como “humildade voluntária e culto de si mesmo”.

Sua “humildade” frequentemente se expressava de maneiras teatrais. Por exemplo, ele evitava se sentar à mesa com os outros para comer, preferindo pegar comida e ir para trás de uma porta, onde se alimentava gritando frases para chamar atenção. Esse comportamento era, claramente, mais uma demonstração de vaidade disfarçada de modéstia, contrariando a ordem e decência que o apóstolo Paulo recomenda para todas as coisas. O pastor H., embora ruidoso e exibido, oferecia mais uma lição sobre a extravagância de uma espiritualidade orgulhosa e barulhenta do que um exemplo a ser seguido.

Meditação para os cultos de pôr do sol de 2026, Os pioneiros — Detalhes da vida de Guilherme Miller, Tiago White e José Bates ©
Este material é uma compilação traduzida e adaptada das seguintes obras em inglês:
1. Life Sketches of Elder James White, and his Wife, Mrs. Ellen G. White (1880)
2. Everett Dick, Founders of the Message, Review and Herald Publishers (1938)

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